Ciência | Superinteressante | 19/09/2019 10h00

Cientistas descobrem genes que ajudam humanos a mergulhar

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Máscara de mergulho, barbatanas, tubo de oxigênio: enquanto você precisa de um grande aparato para tentar mergulhar, os nômades Bajau, da Indonésia, não — eles possuem adaptações genéticas para isso. Segundo uma nova pesquisa publicada na revista Cell, essa tribo possui genes que desenvolveram o baço, e por isso conseguem chegar até profundidades inimagináveis apenas com um óculos de madeira e um par de pesos.

Os Bajau, conhecidos como “nômades do mar”, são uma tribo que vive pelos mares do sudeste asiático, em casas flutuantes, há mais de 1000 anos. Eles coletam todo seu alimento mergulhando com lanças, pesos e óculos de natação de madeira feitos pelos próprios membros da tribo. Curiosa com essa situação, uma pesquisadora do Centro de Geo Genética da Universidade de Copenhague, Dinamarca, passou vários meses com os Bajau coletando dados. Eles chegam a mergulhar 70 metros — não se sabe, ao certo, quanto tempo são capazes de ficar submersos, mas um deles relatou à pesquisadora que já ficou embaixo d’água por 13 minutos.

Usando amostras genéticas, ela descobriu que os Bajau possuem baços 50% maiores que os de seus vizinhos terrestres, da tribo Saluan. O baço é um órgão do sistema linfático que desempenha um papel central no prolongamento do tempo de mergulho livre, pois ele libera mais oxigênio no sangue quando o corpo está sob estresse, ou quando se prende a respiração. “Sabemos que focas de mergulho profundo, como a foca-de-Weddell, têm baços desproporcionalmente grandes. Se a seleção [natural] age dando-lhes baços maiores, pode fazer o mesmo em seres humanos”, disse Melissa Llardo, líder dos estudos.

Os pesquisadores descobriram que os membros do Bajau têm um gene chamado PDE10A, que os Saluan não possuem — e acredita-se que esse gene esteja relacionado com o controle dos níveis do hormônio da tireoide T4, determinante para o tamanho do baço. Os resultados poderão auxiliar no entendimento de como o corpo reage à perda de oxigênio em vários contextos — não só no mergulho, mas em alta latitude, cirurgias e até doenças pulmonares.

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