Ciência | Da redação/ com Notícias MS | 09/05/2016 16h42

Estudo de animais de cavernas investiga conexões e evolução da Bacia Pantaneira

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As cavernas constituem ambientes extremos e fazem parte dos ecossitemas subterrâneos caracterizados principalmente pela ausência permanente de luz e baixa produtividade orgânica.

Animais troglóbios são aqueles que habitam exclusivamente as cavernas, usualmente apresentando ausência de olhos e pigmentos. Assim, por estarem há um longo tempo isolados da superfície, muitas espécies troglóbias podem pertencer a linhagens antigas de animais.

A partir disso, a equipe da pesquisadora Lívia Medeiros Cordeiro (Mestre em Ecologia e Conservação e Doutora em Zoologia), com a supervisão do professor Gustavo Graciolli, vem investigando a diversidade genética de animais troglóbios distribuídos nos planaltos calcários da Serra da Bodoquena, Corumbá e Serra das Araras (MT).

Os objetivos dos pesquisadores são: investigar as conexões entre diferentes sistemas de cavernas, incluindo aquelas da região de Bonito e Nobres; datar com relógio molecular o tempo de isolamento das populações encontradas nos entornos do Pantanal; além de identificar possíveis novas espécies para a ciência.

As coletas já começaram e parte do trabalho de campo envolverá um mergulho de até 50 metros de profundidade na Gruta do Lago Azul, em Bonito.

Entre as espécies coletadas destacam-se dois crustáceos: o Megadiella azul e o Poticoara brasiliensis, este segundo datado da era mesozoica quando o planeta ainda era agrupado em apenas um continente (Pangeia).

“Com as amostras reunidas, realizaremos análises moleculares e faremos um estudo comparativo entre as espécies. Com isso, poderemos observar o grau de parentesco entre as populações e se possivelmente existe conectividade entre estes sistemas de cavernas”, afirma a pesquisadora.

O projeto de pesquisa conta com a colaboração do Geopark Bodoquena-Pantanal, apoio financeiro do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia) e do Governo Federal por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e está sendo executado na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul junto ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal.

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