Ciência | Da redação/ com Diogo Rondon – Fundect | 13/04/2016 13h48

Tratamento da Leishmaniose pode ser mais barato e menos tóxico, diz pesquisador

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O Laboratório de Tecnologia Farmacêutica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com o Governo do Estado por meio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de MS (Fundect), realiza desde 2013 estudos com a finalidade de tornar o tratamento da Leishmaniose Tegumentar Americana e Leishmaniose Visceral mais barato e menos tóxico aos pacientes.

A leishmaniose é a segunda doença parasitária que mais causa mortes em todo o mundo, só perde para a Malária. Está presente em 98 países com cerca de 12 milhões de pessoas infectadas. Estima-se que anualmente cerca de 20 a 30 mil pessoas venham a óbito em todo o mundo por consequência da doença.

No Brasil, é caracterizada como endêmica, pois apresenta 90% dos casos da América Latina. Em Mato Grosso do Sul, o número de infectados representa um problema de saúde pública.

Atualmente a substância de primeira escolha empregada no tratamento é o antimoniato de meglumina, fármaco este que traz bons resultados no combate à doença, porém sua alta toxicidade causa inúmeros efeitos colaterais como artralgias, mialgias, náuseas, plenitude gástrica, alterações hepáticas e renais, distúrbios cardiovasculares e em casos mais graves até a morte.

O projeto de pesquisa da equipe do professor e pesquisador Teófilo Fernando Mazon Cardoso tem como objetivo utilizar o antimoniato de meglumina impregnado em sílica mesoporosa, material inorgânico responsável por fazer o transporte do antimoniato no organismo. Com a modulação da liberação do fármaco no organismo seriam reduzidas as doses diárias do medicamento, tornando-o menos prejudicial à saúde além de reduzir as despesas com a medicação.

“Nossa pesquisa foca em um sistema de liberação diferenciado do antimoniato de meglumina com intuito de atender às necessidades dos pacientes de tal maneira que quantidades adequadas e de preferência mínimas do fármaco sejam capazes de controlar o estado infeccioso, reduzindo os efeitos indesejáveis. No momento comprovamos que a sílica mesoporosa é um carreador eficiente para o fármaco, com base nestes resultados, iniciamos no presente ano a etapa dos testes in vitro com formas infectantes do parasita em macrófagos. A expectativa é de que muito em breve resultados diretos desta pesquisa sejam alcançados”, afirma o pesquisador.

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