Geral | Gabriel Neri | 17/11/2019 08h00

130 anos da Proclamação da República

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No dia 15 de novembro de 1889, há 130 anos, o Brasil deixava de ser Império para se tornar uma República. O movimento teve inúmeras causas, entre elas, o fortalecimento dos militares com a Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), o enfraquecimento da monarquia de Dom Pedro II, que acabou sendo expulso do país após a proclamação.

O sonho da república começou muito antes do final do século XIX. Desde o período da Independência, em 1822, havia a vontade de se instaurar esse regime e derrubar a monarquia absolutista. Os principais a serem citados são a Confederação do Equador (1824) em Pernambuco que buscava a separação do nordeste brasileiro e a república; e a Revolução Farroupilha, no sul.

Essa durou um período muito maior e foi promovido pelas elites locais durante cerca de 10 anos. Assim, de 1835 até 1845, a luta pela separação do sul se manteve. Mas no fim, o governo central conseguiu um acordo e a revolução nunca veio.

Motivos para a queda

Como quase todo regime que caí, o primeiro motivo para a queda foi a perda do apoio popular. Dom Pedro II não tinha a confiança mais da população e consequentemente, perdeu a base religiosa também. O fato conhecido como “Questão Religiosa” aconteceu porque de acordo com a Igreja Católica, o monarca se envolvia com a maçonaria. Assim, duas grandes bases de sustentação de um governo estavam perdidas.

Também, o apoio militar foi perdido logo após a guerra com o Paraguai. A Grande Guerra da América do Sul (1864-1870) envolveu quatro países. Além do Brasil e Paraguai, Argentina e Uruguai participaram. De um lado, lutava a Tríplice Aliança e do outro o país liderado pelo paraguaio Solano López. Confira um resumo da Guerra abaixo.

Juntando tudo isso, a escravidão ficou insustentável. Todos os países da América Latina e da Europa já haviam abolido esse sistema. Faltava somente o Brasil. Quando a Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, a monarquia quase que consolidava sua queda.

Guerra da Tríplice Aliança

A chamada Guerra do Paraguai ou Grande Guerra começou em 1864 e terminou em 1870 com a vitória dos aliados (Brasil, Uruguai e Argentina) e a derrota e destruição quase que total do Paraguai. Esse foi o conflito mais sangrento de nossa história e o Mato Grosso do Sul (à época Mato Grosso) chegou a ficar dominado pelo exército de Solano López por um tempo.

As principais causas da Guerra foram a vontade do Paraguai em ser independente da Inglaterra, a vontade do líder paraguaio conseguir uma saída para o mar e ter um território maior.

O início do conflito se deu após uma intervenção militar do Brasil no Uruguai. Com isso, o governo uruguaio pediu ajuda ao Paraguai, que reagiu energicamente contra os brasileiros.

Em dezembro de 1964, os paraguaios tinham domínio da região do Forte Coimbra e dos arredores na província de Mato Grosso (onde fica o atual Mato Grosso do Sul). A ofensiva paraguaia durou até a Batalha do Riachuelo. Após não conseguir uma permissão para passar por território argentino, López declarou guerra contra Argentina de Bartolomé Mitre.

Assim, a Tríplice Aliança se formou em 1 de maio de 1865. Até esse momento, o Paraguai conseguia se manter, tinha um exército mais preparado e se manteve firme até junho daquele ano.

A Batalha do Riachuelo era fundamental para a Guerra. O resultado dali significava basicamente a glória ou a desgraça. E a glória veio para os aliados. A marinha do país chaco era muito forte, mas não conseguiu vencer na Bacia Platina. A derrota causou a retranca de Solano López. O país havia perdido sua única saída para o mar e estava isolado no meio do continente.

Com isso, o Paraguai foi obrigado a recuar. E esse foi o cenário do conflito até o fim. Os aliados tinham o objetivo de fazer Solano se render, mas o líder paraguaio foi até as últimas forças.

Na estagnação, que durou de 1866 a 1868, a falta de conhecimento do território foi um dos fatores para que a Guerra durasse até 1870. O exército aliado não avançava e a defesa paraguaia se mantinha firme em sua Fortaleza de Humaitá. Quando caiu, a vitória aliada estava confirmada. Mas o objetivo de Dom Pedro II era a morte de Solano López.

A última fase foi de 69 a 70 e depois de muitos militares abandonarem o front porque não tinha mais a razão em lutar, o poder central do Brasil queria continuar até a rendição de Solano. Assunção foi tomada e o Paraguai foi até suas últimas forças. Crianças, idosos e mulheres lutaram, já que os homens do exército morreram. Uma verdadeira chacina. O fim da Guerra foi em 1 de março de 1870, em Cerro Corá, com Solano López morto.

Abolição da escravatura

A onda abolicionista perdurou durante toda a segunda metade do século XIX. A Guerra do Paraguai e a abolição foram fundamentais para o fim do regime monárquico, que durou 67 anos.

Para entender a abolição, temos de falar do papel inglês nisso. Em 1850, surgiu a primeira lei com esse cunho no Brasil, a chamada Lei Eusébio de Queiroz. Por pressão da Inglaterra, ficava proibido o tráfico de escravos vindos de fora para o Brasil. Ou seja, não poderiam vir mais escravos, mas a escravidão continuava sem grandes mudanças aqui.

A segunda lei importante foi a Lei do Ventre Livre, de 1871. Ela estabelecia que os filhos de escravos nascidos após a promulgação da lei seriam livres. Mas os pais não seriam livres. Então, na prática, não mudou tanto.

A Lei dos Sexagenários beneficiava os negros com mais de 60 anos. Se eles completassem a idade, ficariam livres dos senhores. No entanto, poucos passavam dos 35 anos.

A lei de real efeito foi a Lei Áurea de 1888, assinada pela princesa Isabel. Com ela, os escravos estavam livres. Para a economia brasileira, fundamentada na monocultura, os efeitos foram drásticos. Os escravos estavam “livres” e Dom Pedro II condenado.

Consequências para o Brasil

Com esses fatos, a monarquia sucumbiu. Primeiro, o país ficou com muitas dívidas por ter sustentado a Guerra até o último soldado paraguaio. O valor era de 614 mil contos de réis. O conflito era para ter durado pouco tempo de acordo com o Império, mas foram seis longos anos e 50 mil mortes.

Os militares tinham o apoio popular agora, mas não tinham o poder. Então, a base do imperador começou a sucumbir. Segundo, a Guerra terminou em 1870 e depois veio a onda abolicionista para pressionar o Estado. Era questão de tempo a queda da monarquia e a instauração do novo regime. Por último, a Igreja começou a conspirar contra o imperador.

Em 1889, através de um golpe militar, Dom Pedro II caiu e foi expulso do país e a república foi proclamada com a voz de Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente da história do Brasil.

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