Política | Lucas Castro | 11/09/2019 06h43

Presidente reeleito do PT em Campo Grande quer ampliar debate com base política

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Agamenon Rodrigues do Prado foi reeleito, no último domingo (8), presidente do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) em Campo Grande. A votação ocorreu na Câmara Municipal de Campo Grande e teve como candidatos, além de Prado, a professora Mariuza Guimarães e o ex-membro do reality show Big Brother Brasil (BBB) e advogado Ilmar Renato Fonseca, o “Mamão”.

Prado garantiu a reeleição após obter 426 dos 684 votos. Fonseca recebeu 109 e Mariuza Guimarães 103 votos. Os filiados do partido ainda optaram por cinco votos nulos e 41 em branco. A direção do partido afirma que na capital sul-mato-grossense há cerca de 10 mil filiados. Em todo o estado, quase 38 mil integram a sigla.

O presidente em âmbito municipal reconhece que o principal desafio da gestão é conduzir o partido às eleições de 2020. Segundo ele, o objetivo é conquistar quatro cadeiras na Câmara da capital. O PT tem, até o momento, 43 pré-candidatos a vereador inscritos.

De acordo com Prado, o candidato à disputa da Prefeitura Municipal de Campo Grande será decidido até maio do ano que vem. Os deputados estaduais José Almi Pereira Moura (Cabo Almi) e Pedro César Kemp Gonçalves, além do ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos (Zeca do PT), são os pré-candidatos “ventilados” pelo partido. O líder municipal petista destaca que a principal meta é a constituição de uma frente de esquerda. “Já temos conversado muito com o PCdoB, Psol, PDT e PCO aqui em Campo Grande. O PT não quer ser, necessariamente, ‘cabeça de chapa’, quer, prioritariamente, formar esta frente”.

Como forma de recorrer às origens do partido, que permeava constantemente os movimentos sociais, Prado acredita que o diálogo com a base política deve ser ampliado. “Foi um erro do PT sair da máquina partidária e focar só e exclusivamente na administração pública. Com isso, o partido acabou tendo problemas de relação com os movimentos sociais, mas não houve um abandono, porque as nossas bandeiras continuam as mesmas”.

Na visão do presidente municipal, a estratégia é evidenciar à população campo-grandense sobre o modelo de administração vigente em Campo Grande desde o final da década de 1990. “Não queremos fazer uma oposição pessoal ao atual prefeito, queremos mostrar à sociedade que desde 1996 um mesmo grupo administra Campo Grande, é uma mesma forma de atuar. Esse mesmo grupo não apresenta solução para a cidade na área de mobilidade urbana e políticas públicas para mulheres, por exemplo”, disse ao MS em Dia.

A principal crítica ao atual prefeito da capital, Marcos Marcello Trad (PSD), refere-se à aplicação da verba pública que, segundo Prado, é inadequada e que não reflete diretamente nos “gargalos” da cidade. “Com o Reviva Centro, por exemplo, ele [Marquinhos Trad] evidenciou a prioridade. Para nós, isso não é prioridade, é mais gasto do que investimento na 14 de Julho. Para se ter uma ideia, Campo Grande tem alto índice de falta de vagas nos centros de ensino infantis e isso não é solucionado pelo prefeito”.

De longa data - O deputado estadual Pedro Kemp (PT) ressalta que a reeleição de Prado é essencial ao partido no âmbito municipal, principalmente em relação ao contexto político de rejeição vivido nos últimos anos. Para o parlamentar, a capital do estado, neste momento, necessitava de um personagem político com experiência dentro do partido. “O Agamenon é um militante histórico do partido. Foi ele, inclusive, que me filiou ao PT, quando nós éramos universitários e estudávamos juntos. É uma pessoa valorosa, muito dedicada ao partido e ele tem todas as condições de conduzir a sigla em Campo Grande para as próximas eleições, para que possamos fazer uma chapa competitiva”.

Para se reeleger, Prado contou com o apoio de grupos ligados ao ex-deputado João Grandão, de Dourados, Zeca do PT e o Cabo Almi. A professora Mariuza, por sua vez, disputou a liderança municipal do partido pela primeira vez, mesmo filiada desde 1988. O mesmo aconteceu com Ilmar, o “Mamão”, que aceitou participar das eleições do diretório após apoio de amigos e membros de grupos de militância. Tanto a docente, quanto o ex-BBB e advogado acreditam que o PT deve retornar às origens ideológicas.

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