Rádio Corredor | Danilo Galvão | 05/10/2018 10h00

O Brasil dividido por um completo abismo perto da chegada do dia 7

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Abriu

Pelo que mostra as últimas pesquisas do Big Data e do Ibope, Bolsonaro abriu de vez a diferença que precisava para chegar ao segundo turno forte. O candidato do PSL à Presidência beira os 35% e estabilizou a rejeição em 44%.

Enquanto isso ...

Já o seu principal adversário, Fernando Haddad (PT) parou nos 21% de intenção de voto e tem visto a rejeição aumentar. Por teimosia ou falta de estratégia, não percebeu ainda que ele cresceu por conta do mentor, mas visita-lo na cadeia tem feito a sua barreira com o eleitorado disparar.

Quase um empate técnico

Haddad está com 38% de rejeição, e no começo da corrida, quando ainda estava com 4% de intenção de voto, aparecia apenas com uma barreira de 20% do eleitorado, conforme os principais estudos de cenário.

Assustador

Pior que isso é a tendência de que a rejeição de Haddad chegue a casa dos 40%, e o coloque com empate técnico frente a Jair Bolsonaro (PSL) nesse quesito. Na simulação de segundo turno os dois também praticamente empatam, com vantagem de 4% para o afilhado de Lula.

A conta não bate

Com dois candidatos com rejeição enorme e dificuldade para cativar gente de outra esfera que não seja a deles, fica difícil entender como Bolsonaro saltaria de 34% no primeiro turno, para os 41% do segundo turno, de acordo com o Big Data. O mesmo dilema vale para Haddad, que saltaria de 21% para 45% conforme as projeções do instituto.

Extrato 1

A pesquisa do Big Data, que é a mais recente da corrida presidencial, divulgada nesta terça-feira, 2 de outubro, foi contratada pela Rede Record. Foram ouvidas 3.200 pessoas, entre os dias 28 e 29 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais e para menos.

Extrato 2

O resultado foi bem parecido com o de um levantamento do Ibope, divulgada na segunda-feira, 1º de outubro, que consultou 3.010 eleitores, entre 29 e 30 de setembro. O nível de confiança é também de 95%. A diferença é que nesta Bolsonaro tem diferença de 11% para Haddad e na do Big Data, o vácuo é de 10%.

A se pensar

No Mato Grosso do Sul, o fracasso de Geraldo Alckimin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) na disputa nacional influenciou decisivamente no cenário doméstico. O sul-mato-grossense ganhou com isso mais inspiração para seguir com o que lhe é tradicional: olhar o Estado como um mundo à parte. Os principais candidatos pouco falam de seus respectivos nomes para a Presidência, até porque falar não ajudaria em quase nada.

Túnel do tempo

Porém, em 2014, a referência nacional fez diferença. Por incrível que pareça, a “onda tucana de Aécio Neves” ajudou Reinaldo Azambuja a superar Delcídio do Amaral, na época candidato a governador pelo PT. Nem tanto pelo carisma do nome do PSDB à Presidência, mas por incorporar o anti-petismo, de alguma forma.

In the present day

Quatro anos depois, o “anti-petismo” é muito mais vinculado ao combate da corrupção. Graças ao cataclisma provocado pela Operação Lava Jato, e um certo Messias incorpora essa lacuna de salvação. Em Mato Grosso do Sul, por falta de expertise dos principais candidatos ao Governo, pouco se explorou dessa nova fase da onda contra a estrela vermelha. O máximo que ocorreu foi um evitando que o outro trouxesse a turma do Bolsonaro para a militância.

Vantagem mínima

Reinaldo conseguiu levar vantagem nisso, teve até o PSL em uma de suas coligações e não flertou com a esquerda, ao contrário do Juiz Odilon. Já o MDB de Junior Mochi, praticamente não assumiu Henrique Meirelles, como alternativa de abrir caminho para a turma de Jair Bolsonaro ter um abrigo regional.

Futurologia

Não há de se duvidar que Jair Bolsonaro tenha em Mato Grosso do Sul uma de suas maiores expressões nas urnas, pelo menos em percentual. Tem quem arrisque uns 60% fácil para o candidato do PSL. A pergunta é: em quem esse povo votaria para governador? Em branco talvez? Ou teriam a coragem de anular o voto e seguir a radicalidade do ídolo.

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