Rádio Corredor | Danilo Galvão | 27/09/2018 09h30

O PT, o anti-PT, dois palanques e o MS é uma ilha como sempre

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Barreira insuperável
E já se completam, duas semanas de internação de Jair Bolsonaro, vítima de uma facada, enquanto participava de uma atividade de campanha em Juiz de Fora-MG. Fora da estratégia eleitoral que mais o faria crescer, o candidato do PSL avança timidamente na intenção de voto. Sem o corpo a corpo, o capitão reformado se manteve na liderança da disputa, nas não chega ao patamar dos 30%.


Doze por meia dúzia
E poderia ultrapassar essa marca dos 30% se estivesse no trecho, segundo muitos apoiadores. A própria agenda intensa, preparada para a campanha e a boa aceitação no interior do país, também seriam alavancas. Pior que isso, com pouca expressão o vice dele, General Mourão não empolga setores que a candidatura precisa conquistar, como os neutros, indecisos e o próprio mercado.


Tragédia de pouco marketing
Com apenas 8 segundos do Horário Eleitoral Gratuito, assim como a maioria dos seus concorrentes, Bolsonaro depende muito de matérias dos jornais da TV aberta para aparecer mais no principal veículo de massa do Brasil. Depois da facada, ganhou até mais espaço no noticiário que outros, além da blindagem para ataques, pelo menos nos primeiros dez dias depois da tragédia de Juiz de Fora-MG. Entretanto, esse cenário só lhe rendeu 6 pontos nas pesquisas de Ibope e Datafolha, enquanto Fernando Haddad (PT) alçou cresciment de 14%.


Equação
Que o país está dividido no debate eleitoral é óbvio, só que nenhuma candidatura de centro se atentou na razão principal de Jair Bolsonaro ser o líder das pesquisas, desde que Lula foi proibido de concorrer. Como nenhum outro ele encarna o "anti-petismo", e neste ano o Brasil irá decidir entre o PT, e o "NÃO PT". Apesar de tantos nomes na corrida presidencial o jogo está mais para um plebiscito do que para um pleito que escolhe o novo comando da nação.


Sagaz
"Com uma estrutura partidária pífia, o Bolsonaro é um produto dele próprio. Ele incorporou o perfil de ser o candidato anti-sistema, o que é estranho porque ele está há 30 anos na política. Foi dois anos vereador no Rio de Janeiro-RJ e depois por 28 anos deputado federal", diz o jornalista Marco Antônio Villa sobre o "Fenômeno Bolsonaro", em comentário recente na Jovem Pan. O jornalista porém, se rende a sagacidade política do capitão reformado que viu muito antes dos outros o desenho dessa eleição. Ao contrário dele, Alckmin e Ciro precisaram de semanas de campanha para descobrirem que polarizar com o PT é a saída para crescer nas pesquisas.


Antes tarde do que nunca
Depois da chegada do PT ao segundo lugar nas pesquisas, Ciro Gomes (PDT) foi categórico quanto a um possível apoio a Fernando Haddad no segundo turno. "Nem a pau Juvenau", citou ele, avisando que não se rende a esse tipo de cotação do cenário. Prefere se guiar pelo amor que possui pelo Brasil. Já Geraldo Alckmin (PSDB) teve a única aparição nos dois dígitos depois de atacar o governo de Michel Temer, o associando a uma continuidade da "Era Dilma Rousseff". Bateu nos 10%, mas recuou depois para 9% e 8%, dependendo do instituto de pesquisa.


La garantia soy yo
E o reflexo disso se vê nas campanhas de âmbito nacional e também nas batalhas pelos governos de estado. O programático perdeu o protagonismo, para o discurso ufanista de "combate a corrupção". Não que a falcatrua deveria estar fora do debate, mas a linha de discussão é absolutamente pobre na maioria das vezes. Fala-se no fim das irregularidades como solução de tudo, o que qualquer um sabe, só que o método para se obter esse milagre não é dito. É como naquela negociação em que uma das partes cita: "la garantia soy yo".


E no MS?
Por aqui, os dois líderes das intenções de votos se espelharam pelo menos em uma tática. Cada um possui dois palanques de candidato a presidente, mesmo que uma via seja oficial e a outra alternativa.


2 a 2
Reinaldo Azambuja, do PSDB, está com Alckmin, mas não dá tanto alarde a isso, e tem ainda a simpatia a campanha de Jair Bolsonaro, devido a apoio regional do PSL que conquistou em Mato Grosso do Sul. O Juiz Odilon, por sua vez, é Ciro Gomes até de baixo d'água, em razão do PDT, que é o seu partido, só que precisa manter uma linha de proximidade com Álvaro Dias, do Podemos,já que a sigla está no seu arco de sustentação.


Ilha
Certo é que, bem como em outras disputas, Mato Grosso do Sul segue em sua tendência eleitoral. Parece uma ilha, e pouco conectada com o debate macro, o pleito aqui tem características peculiares, devendo vencer quem for mais cativo no regional. O padrinho, em âmbito nacional não decide muita coisa nessa região do país. Depois fica para o governante de 2019 a 2022 avisar ao próximo gestor da nação que essa unidade federativa existe e que precisa inclusive ser mais respeitada pelos interesses nacionais.


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