Rádio Corredor | Danilo Galvão | 26/06/2016 17h02

Teria agora Jean Nazareth a nobreza de convidar Acelino para a composição de uma chapa majoritária?

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Conjecturas

Teria agora Jean Nazareth a nobreza de convidar Acelino para a composição de uma chapa majoritária? Se tivesse essa sacada, baseada em muito altruísmo, certamente a oposição ao governo tucano ganharia uma dor de cabeça e tanto para a disputa eleitoral. Com Daltro Fiúza fora do páreo, e fincado na teimosia incomum de morrer abraçado na própria esperança (delirando que possui chances de reverter a cassação de mandato), o lado B da política local terá que encontrar outras alternativas.

Daltristas

Jean, com todo o suporte do PT Estadual, é uma delas e Acelino, que manteve o nome forte apesar da discrição costumeira, também é, restando, neste caso, saber quem desta vez seria o vice. 79 municípios e mais instituições.
O mesmo bloco dos daltristas tem ainda o vereador Nelio Paim, que se coloca como opção para a majoritária, na virtualidade do ‘eterno prefeito’ ficar fora de combate. Se organizando para uma eleição o grupo é forte, mesmo tendo que enfrentar uma estrutura muito mais robusta financeiramente na campanha de Ari Basso.

Mas e ele?

Quem anda quietinho e talvez até fora das eleições é o médico Marcelo Ascoli, atual vice-prefeito de Sidrolândia. Depois de romper politicamente com Ari Basso, por discordar do desempenho da administração municipal, especialmente quanto à atenção dada aos assentamentos, ele corre o risco de entrar na campanha para novamente concorrer ao mesmo cargo.A aliança que pode abrigá-lo seria entre o PSL, seu partido e o PEN, que terá Haroldo Calves como pré-candidato a prefeito. No entanto, Haroldo já admitiu que para concorrer na mesma chapa que Marcelo aceitaria até ser o vice, por confiar no programa de governo do amigo. 

E o vice? 

A situação de ambos é bem diferente quanto a respaldo, pois a executiva estadual do PEN, liderada pelo deputado estadual Lídio Lopes garante total apoio e Haroldo possui também mais recursos financeiros a dispor em uma campanha do que Marcelo. Já o vice-prefeito contava com a ajuda do senador Delcídio do Amaral, que se tornou ex-senador, depois da cassação, mas que mesmo assim deve estar torcendo pelo amigo ter sucesso na disputa.  No ninho tucano, devido à maturidade do  rompimento ficou  mais fácil  o PSDB coligar com Daltro Fiúza do  que com Marcelo Ascoli. Certo mesmo é que haverá em palanques diferentes o prefeito e o vice.  Quem falará a verdade?

Já em Maracaju

A enrolação do PSDB em escolher o seu pré-candidato a prefeito tem colaborado para estressar ainda mais o quadro político, já quente nessa época que antecede as convenções partidárias. O resultado do imbróglio será algo que, de certa forma, também beneficiará o partido. Isso porque, com mais candidaturas majoritárias a ideia é que o quadro político seja mais disputado e com isso dificulte para o favorito, que busca o seu quarto mandato em Maracaju. Maurílio Azambuja tem se concentrado mais em administrar a cidade e não tem demonstrado preocupação com as eleições deste ano, que com certeza ele terá participação.  O momento é de fechamento de alianças e  a bola da vez é saber quem consegue o apoio do PSB. PMDB, PSDB e o DEM da nova candidata estão no páreo. 

Apareceu o dindin


Ano de crise econômica e, o Governo do Estado, com risco de déficit nas contas, caso não repactue a dívida do Mato Grosso do Sul e, ainda assim, o executivo conseguiu aumentar em 46% o dinheiro do repasse para as emendas de entidades filantrópicas que atendem nas áreas de Saúde ou de Assistência Social. Em 2015, o dinheiro que se mantinha em R$ 24,65 milhões saltou neste ano para R$ 36 milhões, o que permitirá as emendas dos deputados atenderem os 79 municípios e mais instituições. Conforme dados do Poder Executivo foram R$ 22.648.046,90, para a área da Saúde, outros R$ 8.080.000,00, para Educação e R$ 7.817.327,00, para a Assistência Social. Os 24 deputados apresentaram um total de 1.130 indicações. 

Consagra um trabalho

Segundo o presidente da Assembleia, deputado Junior Mochi (PMDB), a entrega das emendas materializa o esforço do parlamentar no atendimento das demandas estaduais.“Além de legislar e fiscalizar, os deputados também conseguem atender a população com a destinação de recursos por meio das emendas. Independentemente de partido político, todos os 24 olham por todo o Estado. A escolha das entidades foi feita ao longo do ano, com nosso trabalho de base”, explicou.As entidades terão até o dia 2 de julho para regularizar toda a documentação necessária para receber os recursos repassados pelo Governo do Estado. Cada parlamentar teve R$ 1,5 milhão para destinar. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) discursou sobre a importância de ter aumentado o valor para cada deputado e fortalecer a atuação do Legislativo.

Quanta indiferença

Todavia, mesmo com o ‘recurso extra’, em época de crise, não foram todos os prefeitos à cerimônia realizada no Palácio Popular da Cultura. Fica o alento que pelo menos todos os municípios estiveram presentes de alguma forma, seja com a ida de vereadores ao evento, ou de dirigentes das entidades beneficiadas. Talvez por isso o auditório principal do centro de convenções ficou abarrotado de gente.Ari Basso, por exemplo, foi um dos chefes de executivo municipal que figurou entre os faltosos à solenidade, momento que é fundamental não apenas para a oficialização de emendas mas para a articulação da chegada de mais recursos. Isso porque, no saguão de entrada foram organizados estandes com as equipes de todos os deputados estaduais.  Entretanto,  a gestão de Ari Basso tem sido eficaz na articulação fora de eventos, tanto é, que conseguiu neste ano, um importante dinheiro para a recuperação das estradas vicinais.

Enquanto isso ..

Se Ari Basso se nega a fazer o marketing político da sua própria gestão, o que seria aceitável, porque há diversos pontos em que a administração merece elogios, os opositores se tornaram em 2016 mais midiáticos e mais marqueteiros nas críticas. Um exemplo disso, são as ‘televisões de internet’ que passaram a massacrar o desempenho da prefeitura na manutenção das estradas vicinais. Basta um ponto intransitável, após alguma chuva, que brotam câmeras amadoras, as vezes até de celular para fazer o registro da tragédia e reclamar publicamente do ‘porquê’ o executivo não deu conta de arrumar os travessões da área rural.
O prefeito, com a sua equipe, até que tentou, mas a tarefa exigiu vigilância de aproximadamente dois mil quilômetros de estradas, que deveriam também receber uma ‘forcinha’ do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Deveriam!

O ‘X’ da questão

Se durante o mandato, os ‘prefeitos’ que Sidrolândia já teve agem com racionalidade, para defenderem que a dificuldade é imensa em manter e recuperar as estradas da zona rural, a mesma lucidez pouco acomete os políticos em época de eleição. Para obter o apoio nas urnas vale infelizmente o devaneio de prometer tudo e oferecer ao público soluções na campanha , que não passam de intenções forçadas, que tornam a comparação dos programas de governo em um ‘show de boas intenções’.
Como só se pode cobrar o vencedor, pois dele existe o parâmetro real entre o imaginado e o realizado, há a constatação de que Ari conseguiu ir bem na sua ideia de recapear boa parte das vias urbanas do município, não foi tão bem na manutenção das estradas vicinais, e conseguiu manter as contas da prefeitura em equilíbrio apesar da crise econômica. Com um eleitorado mais racional, pode-se dizer que há um bom caminho para a reeleição desde que se explique bem.

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