Novo manual de gestação defende violência obstétrica durante o parto  

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Saúde | Ayanne Gladstone | 17/05/2022 09h16

Novo manual de gestação defende violência obstétrica durante o parto

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A nova versão do manual para gestantes relativiza a violência obstétrica e favorece práticas inseguras após o parto, de acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). O manual foi alvo de repúdio no âmbito nacional da saúde e também em Mato Grosso do Sul, onde o Conselho dos Direitos da Mulher de Mato Grosso do Sul (CEDM/MS) declarou que o documento contraria evidências científicas de assistência ao parto normal.

O Cofen alertou os profissionais e gestantes sobre a utilização do manual, sugerindo que ele seja recolhido e reelaborado, porque contradiz orientações da própria Saúde em versões anteriores. Segundo o conselho, a cartilha promove a utilização da amamentação para prevenir a gravidez nos primeiros seis meses após o parto e manobras, uma prática que era proibida durante partos normais.

O conselho afirma que a amamentação nos seis meses após o parto é pouco eficaz como método contraceptivo e deve ser combinada com outro método, embora a amamentação reduza a fertilidade. Estudos científicos associam o espaçamento curto entre as gestações a um maior risco de mortalidade neonatal e infantil, de acordo com o conselho.

Outra adversidade estimulada é a prática da episiotomia, corte realizado durante o parto na região do períneo para facilitar a saída do bebê, conhecido como mutilação genital.

O conselho afirma em nota que relativizar a violência obstétrica é um retrocesso para a assistência ao parto no Brasil. “Não contribui para a melhoria dos indicadores de assistência materno-infantil".

O CEDM/MS afirma que a cartilha promove práticas que contrariam evidências científicas comprovadas pelas Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal. O conselho também afirma que o manual recomenda ao médico a manobra Kristeller, que representa o ato de empurrar, apertar e pressionar a barriga da gestante para forçar a saída do bebê.

A presidente do conselho, Bianca Knorst explica que o departamento defende o enfrentamento de todo tipo de violência contra mulher e que repudia quaisquer atos que violem os direitos garantidos à elas. “As alterações publicadas ferem o direito da pessoa gestante e não podemos deixar que isso aconteça”.

A sexta versão do documento foi atualizada pelo Ministério da Saúde no dia 4 de maio e mais de três milhões de cópias devem ser impressas e distribuídas aos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) do Brasil. O Ministério da Saúde garantiu ao jornal O Globo que a caderneta é “um importante instrumento de acompanhamento da gestação, parto e pós-parto” para o modelo de cuidado materno-infantil no Sistema Único de Saúde (SUS).

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