Segurança Pública | Agência Brasil | 19/08/2018 11h00

Índice de homicídios é alarmante na fronteira de Porto Murtinho

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Relatório preliminar do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) aponta que os municípios fronteiriços que mais sofrem com a violência são aqueles que apresentam a pior estrutura educacional e de saúde e menos oportunidades de emprego formais.

“Há uma correlação direta entre a crescente violência nas localidades e o abandono escolar, a falta de qualificação profissional e oportunidades para os jovens”, disse à Agência Brasil o presidente do instituto, Luciano Stremel Barros.

Segundo Barros, os índices de homicídios são “alarmantes” nas fronteiras com o Paraguai, entre Foz do Iguaçu (PR) e Porto Murtinho (MS). Os dados mostram que só em Foz do Iguaçu, em 2016, foram registrados 99 assassinatos, o que equivale a uma taxa de mortalidade por violência de 37,5 vítimas por grupo de 100 mil habitantes.

Proporcionalmente, Paranhos (MS) aparece como a mais violenta entre 32 “cidades-gêmeas” avaliadas, aquelas que ficam lado a lado na fronteira de países diferentes. Embora tenha registrado oficialmente 15 homicídios ao longo de 2016, o município sul-mato-grossense – que tem pouco mais de 13 mil habitantes – é o que tem a taxa de letalidade mais alta, com 109,7 assassinatos por 100 mil habitantes.

O segundo colocado em violência é Coronel Sapucaia (MS), com uma taxa de 67 homicídios por grupo. O número de assassinatos cresceu 150% entre 2013, quando foram registrados seis homicídios, e 2016, que teve 15 ocorrências. A taxa de letalidade passou de 45,72 por grupo de 100 mil habitantes para 109,7 mortes violentas por grupo.

No mesmo período, a situação de Coronel Sapucaia melhorou, caindo de 14 assassinatos em 2013 (ou 95,84 homicídios por 100 mil habitantes) para 10 ocorrências (67 x 100.000).

Atlas da violência
Relatório preliminar obtido pela Agência Brasil mostra que o número de homicídios nas cidades fronteiriças é inferior ao registrado em Queimados (RJ), apontado como o município mais violento do país no último Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Na pesquisa, o município aparece com taxa de 134,9 homicídios e mortes violentas por 100 mil habitantes.

De acordo com a publicação do Ipea, em 2016, Paranhos chegou a uma taxa de 109,7 homicídios para cada grupo de 100 mil moradores. Em Coronel Sapucaia ocorreram 73,7 homicídios por cada grupo de 100 mil habitantes. No caso de Foz do Iguaçu, os números dos dois institutos coincidem.

“A realidade das fronteiras é esta. Sofremos com isso, e tanto as autoridades estaduais quanto as federais já estão cientes. É um grande desafio para todos”, disse o secretário municipal de Paranhos, Aldinar Ramos Dias, informando que, em geral, as vítimas não moram na cidade. “Assassinato de moradores é algo muito raro.” Segundo ele, muitos homicídios não são esclarecidos.

Enfrentamento
O diagnóstico final do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras sobre a situação nas cidades fronteiriças deve ser divulgado na próxima semana. Além de um retrato sobre segurança pública, o documento trará conclusões sobre quatro eixos que o instituto considera fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico da faixa de fronteira: educação, saúde, emprego/ renda e finanças.

“Voltamos a alertar que, se não houver uma estratégia política integrada para a fronteira, o problema tende a se agravar, com reflexos para todo o país”, afirmou o presidente do instituto, Luciano Stremel Barros. Ele chamou a atenção para o crescente poder das organizações "transfronteiriças", como o contrabando que cruza as fronteiras, "alimentando a violência e ajudando a armar as facções criminosas".

Procurado pela reportagem, a assessoria do governo do Mato Grosso do Sul informou que a violência em Paranhos, Coronel Sapucaia e Ponta Porã é resultado da disputa entre as facções criminosas brasileira que se instalaram em municípios paraguaios próximos. estado vem reforçando a presença das forças de segurança pública, suprindo o que classifica como “ausência das forças federais” na região.

Um primeiro resultado é a maior apreensão de drogas, que, em 2017, cresceu 42% em comparação ao ano anterior, saltando de 300 toneladas para 427,5 toneladas. Ao mesmo tempo, o governo sul-mato-grossense garante estar implantado programas sociais para atender a população com acesso aos serviços de educação, saúde e geração de emprego e renda.

Vigilância
O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann disse, ontem (13) que o governo federal está deslocando cerca de 250 agentes da Força Nacional para reforçar a vigilância das fronteiras, além de ampliar o número de policiais federais na região. Nova ação conjunta com a Força Aérea Brasileira (FAB) deve ser desencadeada nos próximos dias.

“Serão ações conjuntas que incluirão o monitoramento de pequenas aeronaves”, afirmou o ministro, defendendo a liberação de mais recursos para o desenvolvimento do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron).

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