Sidrolândia | Amândio Martins | 12/06/2016 11h30

Acelino e Ari devem protagonizar nova disputa eleitoral em 2016

Compartilhe:

As eleições deste ano devem confirmar um novo derby na política de Sidrolândia, que não via outra rivalidade política, nos últimos 20 anos, além da que existe entre Enelvo Felini e Daltro Fiúza. Se os dois no páreo, a disputa pela prefeitura de Sidrolândia caminha para repetir o cenário das eleições suplementares de 2013, que aconteceram após anulação da vitória do PSDB nas urnas em outubro de 2012.

O motivo do revival é justamente a impossibilidade de se ter Enelvo Felini e Daltro Fiúza nestas eleições. Se para o tucano trata-se de uma opção não disputar a situação é bem diferente para o peemedebista, que chegou a ser anunciado como pré-candidato favorito do PMDB para concorrer a prefeito de Sidrolândia pela quinta vez. Em quatro mandatos ele governou a cidade, e poderia chegar ao sexto se não fossem os problemas com a aprovação das contas de 2008. 

É justamente o último ano do terceiro mandato, e que Daltro conseguiu nas urnas a reeleição vencendo Enelvo, que travam a volta do favorito nestas eleições. O processo que julga as finanças da prefeitura no exercício de 2008 tramitou no Tribunal de Contas (TCE-MS) por seis anos, e apesar dos recursos e explicações do ex-prefeito, determinou o parecer de rejeição de três conselheiros e apenas um voto favorável. A matéria é só um exemplo de como se procrastina a avaliação de administrações públicas no Brasil. 

Se Daltro tivesse hoje a mesma ambição que Enelvo Felini, o impasse no TCE-MS seria irrelevante neste momento. Isso porque, o gringo tem uma pretensão política maior, de se recandidatar a deputado estadual e para isso tem se concentrado no bom desempenho do comando da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural). No desafio de ter a entidade como mais um cartão de visitas, Enelvo tem promovido uma verdadeira revolução no suporte para a agricultura familiar no interior do Estado. 

Fiúza, no entanto, não aproveitou a mesma chance que teve, quanto o governador era André Puccinelli, também peemedebista, quando o ex-prefeito autuou apenas como assessor especial no executivo. Sem projeção estadual, ele todavia segue como uma lenda em Sidrolândia, que o coloca como ‘melhor prefeito da história’ e por isso o mais cotado a vencer em 2016 as eleições – se conseguisse figurar na lista dos políticos ficha-limpa. A rejeição das contas no TCE-MS, no entanto deve atrapalhar um retorno ao cargo que o consagrou. 

Diante da decisão do presidente da Câmara Municipal, vereador David Olindo (PDT), de suspender o recesso parlamentar, a votação do parecer prévio do TCE-MS sobre o futuro político de Daltro Fiúza será justamente na primeira quinzena de agosto, mês que terá o registro de candidaturas no dia 15. Conforme o andar da carruagem, em plena convenção, o PMDB terá o seu principal nome inelegível até 2024 (quando o ex-prefeito terá 74 anos), o que passou a reforçar o projeto de candidatura do empresário Acelino Cristaldo.
 Histórico

Acelino foi o candidato do PMDB nas últimas eleições municipais, em que perdeu duas vezes para o PSDB, mesmo chegando a mostrar potencial de popularidade. Com o veterano Enelvo Felini, a diferença foram apenas 959 votos, com uma virada na campanha, em que o peemedebista começou na frente. Pesou para a primeira derrota a estratégia do PSDB de dividir o PT, que estava aliado a Acelino, tendo indicado inclusive o vice na chapa, o vereador Jean Nazareth. A manobra deu tão certo que os dois vereadores petistas eleitos conseguiram o êxito graças ao palanque e a estrutura tucana. 

A segunda derrota veio com uma sucessão de erros, que colaboraram para a vitória com maior diferença de votos na disputa pela prefeitura de Sidrolândia – ao todo 3419 votos. No entanto, o desempenho de Acelino entre as duas eleições, que tiveram intervalo de seis meses, não foi tão grande. O candidato do PMDB perdeu 1139 votos e da abstenção de votos em 2012, Ari Basso abocanhou outros 2280 votos, o que representou nada menos que 8% do eleitorado da cidade na época. 

Pesou, além da ressaca na derrota do ano anterior, a anulação de uma chapa inteira do DEM, que fez com que dois a três vereadores coligados com Acelino  não se elegessem. No segundo combate contra os tucanos, enquanto Sidrolândia tinha no primeiro trimestre do ano um prefeito do PSDB, o vereador Ilson Peres, o grupo do PMDB se mostrava dividido e inconformado com novas eleições e a maior vitória do outro lado na escolha de representantes da Câmara Municipal. Para piorar o ambiente, o candidato peemedebista trocou de vice, o que deixou a porta aberta para mais lideranças do PT fazer campanha por Ari Basso. 

Tendo essa referência histórica será que Acelino repetiria escolhas arriscadas? O nome do empresário, agora amadurecido por uma derrota nas urnas segue como uma opção de renovação, o que torna o PMDB mais perigoso a Ari Basso do que com uma candidatura de Daltro Fiúza. A seu favor, o empresário tem o contraponto de uma gestão tucana em Sidrolândia que não conseguiu ser tão espetacular como prometeu, em razão da crise econômica do País e da dificuldade do prefeito de descobrir o fio da meada. 


VEJA MAIS
Compartilhe:

PARCEIROS