Tecnologia | Superinteressante | 16/11/2018 10h55

Como funciona a recomendação de vídeos do YouTube?

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Você já assistiu a esse vídeo? Provavelmente não. Mas o vídeo infantil é o mais recomendado pelo algoritmo do YouTube, segundo uma pesquisa do Pew Research Center, divulgada nesta semana. O estudo analisou as principais recomendações da plataforma de vídeos do Google para tentar entender como esse sistema funciona.

Por meio de um software, os cientistas simularam mais de 117 mil visitas aleatórias ao site – como se alguém tivesse entrado no YouTube e começado a navegar pelos vídeos. Dessas visitas, eles coletaram 650 mil opções de recomendação que a plataforma deu (sim, aquelas que aparecem na não tão querida reprodução automática).

O vídeo acima está na primeira posição dentre os 50 mais recomendados. Em segunda lugar está o clipe da música Girls Like You, da banda Maroon 5 e da cantora Cardi B. Na lista, o que predominou foram vídeos de música, produções infantis, competições de TV e life hacks (dicas domésticas, culinárias etc.).

Como a recomendação funciona

Mas como esses vídeos se transformam em recomendações? De acordo com o Pew Research, 64% das sugestões possuem mais de 1 milhão de visualizações. A média de views do top 50, por exemplo, é alta: 456 milhões.

Uma rápida comparação com o outro lado da moeda mostra que os vídeos com poucas visualizações quase não aparecem. Produções com até 50 mil views representam apenas 5% das recomendações coletadas pela pesquisa.

De acordo com o relatório, leva tempo para que o YouTube entenda o que é relevante a ponto de entrar no sistema de indicações. Assim como outras ferramentas do Google, o site utiliza um sistema de deep learning, que usa inteligência artificial para fazer com que o sistema analise grandes quantidades de dados para “aprender sozinho” a gerar a melhor recomendação possível para cada um.

Vale dizer que a pesquisa leva em conta recomendações que seriam feitas a um usuário anônimo. No caso de usuários regulares, que acompanham conteúdos específicos, o trabalho do sistema de indicação, fica mais fácil, já que as chances de encontrar vídeos com temas parecidos aumentam. Assim como a Netflix, que altera até as imagens da tela inicial com base no que você assiste, a personalização é um fator relevante para o algoritmo.

A importância das sugestões

O assunto ganhou relevância com um artigo do jornal The New York Times. Ele relata um pequeno experimento feito pela professora Zeynep Tufekci, da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. Ela percebeu que, conforme seguia as recomendações do YouTube, os assuntos dos vídeos que apareciam eram cada vez mais “extremos”.

Por exemplo: ao assistir a um vídeo sobre vegetarianismo a tendência é que as sugestões seguintes sejam sobre um estilo de vida vegano. No caso da política, uma sequência sobre Donald Trump pode levar você a produções relacionadas à direita radical. O artigo de Tufekci alerta sobre como a plataforma pode acentuar o problema da radicalização e da polarização.

Outro cuidado ao usar o site diz respeito aos conteúdos indicados para crianças. Segundo uma reportagem do The Atlantic, o próprio YouTube orienta que o lugar dos pequenos é no YouTube Kids, uma versão do site para baixinhos. Mas, pelo visto, não é o que está acontecendo.

O fato de o vídeo mais recomendado ser infantil é um indício de que o YouTube é amplamente usado pela garotada, o que aumenta o risco de um conteúdo inapropriado chegar até eles. Ou apenas que as pessoas passaram a gostar de canções sobre a hora do banho.

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